21 de maio de 2026

Vivemos o pior ataque de desinformação da história humana, por Walter Falceta

Por trás desse ataque letal à mente pública, atuam think tanks, estrategistas políticos e plataformas digitais a abastecer grandes redes.
Reprodução

Pesquisadores de universidades renomadas alertam para enxames de IA que manipulam redes sociais globalmente.
Grupos ligados ao trumpismo e think tanks conservadores coordenam campanha de desinformação no Brasil e América Latina.
Algoritmos das redes sociais são manipulados por bots para amplificar fake news, beneficiando plataformas e grupos políticos.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

Vivemos o pior ataque de desinformação da história humana

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

por Walter Falceta

Nas últimas semanas, aumentou exponencialmente a quantidade de fake news destinadas, no Brasil, a caluniar, difamar e estigmatizar o Supremo Tribunal Federal e o Governo Federal.

Vamos explicar com cuidado o que está ocorrendo. Preste atenção.

Pouca gente prestou atenção ao que ocorreu em 22 de janeiro passado.

Publicou-se na prestigiada revista “Science” um artigo científico com caráter de denúncia emergencial.

O título: “How malicious AI swarms can threaten democracy” ou “Como enxames maliciosos de inteligência artificial podem ameaçar a democracia”.

Por que foi particularmente relevante?

Porque não foi um estudo isolado, mas o conjunto de observações e pesquisas de várias universidades e institutos, incluindo especialistas de Cambridge, Oxford, Harvard e Berkeley.

Quem produziu: Gente como Maria Ressa, cofundadora do site de jornalismo Rappler, especialista em desbaratar quadrilhas de desinformação global.

Gary Marcus, norte-americano, cientista cognitivo e pesquisador de inteligência artificial, professor emérito da New York University.

Sander van der Linden, psicólogo social da universidade de Cambridge, especialista em psicologia da propaganda e difusão de fake news.

O que eles e muitos outros pares denunciaram?

Que enxames de agentes de Inteligência Artificial começaram a se infiltrar massivamente em redes sociais para fabricar “consenso público”, manipulando a opinião pública.

Os ataques de bots que marcam 2026 são particularmente tóxicos, porquem envolvem entidades digitais que não apenas divulgam calúnias e informações falsas.

Eles também debatem! Passam por humanos e discutem em fóruns e redes sociais.

Os pesquisadores afirmaram que redes coordenadas de contas automatizadas estão atuando em escala planetária, a fim de criar uma hegemonia de opinião.

São particularmente relevantes os trabalhos da norte-americana Renée DiResta, conhecida por estudar as redes de manipulação informacional.

A detecção dessa onda foi registrada no detalhe por analistas da Graphika, empresa que investiga campanhas coordenadas online. Em também pelos especialistas do Stanford Internet Observatory.

Então, o que há de novo, de fato? As super redes de contas automatizadas, muitas criadas entre o fim de 2025 e o início de 2026.

A IA utilizada é generativa, ou seja, cria e alimenta debates e dissemina argumentos, verdadeiros ou falsos, de forma convincente. Parecem pessoas reais, mas são bots.

Os especialistas afirmaram que não estava operando em um único país, mas em escala internacional, servindo a grupos ideológicos organizados.

A operacionalização está sendo realizada por empresas especializadas em manipulação de redes sociais, no chamado “astroturfing”.

Outros serviços clandestinos de geração, distribuição e amplificação também estão sendo empregados nessa experiência coordenada de manipulação de multidões.

Esses sistemas estavam operando, de forma muito articulada, na rede X (Twitter), mas também no Facebook, Instagram e TikTok.

O que existe, hoje, é um robusto ecossistema de desinformação e manipulação controlado pela extrema-direita transnacional.

O tripé assim se define:

  • Produção massiva de meias verdades críveis, destinadas a moer reputações públicas.
  • Controle de algoritmos, em parte com o consentimento das redes sociais, especialmente o X (Twitter).
  • Inserção recente de robôs publicadores e debatedores, que se passam por humanos reais.

Por trás desse ataque letal à mente pública, atuam think tanks, estrategistas políticos e plataformas digitais destinadas a abastecer as grandes redes.

Fato 1: muitas dessas redes internacionais estão ligadas ao trumpismo.

Fato 2: o criminoso condenado Steve Bannon, ex-estrategista de Bannon, segue atuando com o objetivo de criar uma nova hegemonia mundial.

Fato 3: já sabemos quais são alguns dos pilares dessa campanha, uma espécie de Covid-19 informacional.

É o caso do Government Accountability Institute, um think tank fundado por Bannon e Peter Schweizer, financiado por doadores conservadores como a família Mercer.

Há outras células ligadas a Bannon, como o GTV Media Group, criada com o bilionário chinês Guo Wengui.

Fato 4: é fundamental o papel da Atlas Network nesse processo de contágio informacional. Ela conecta centenas de think tanks em mais de 100 países, apoiando organizações conservadoras e neofascistas. Oferece treinamento, networking e financiamento.

Tem presença muito relevante na América Latina, influenciando debates econômicos e políticos.

Fato 5: empresas ligadas ao governo Netanyahu, de Israel, desenvolvem esquemas sofisticados de desinformação em nível global. Estão já muito além do Archimedes Group, que atuava com contas falsas para influenciar eleições na África, América Latina e Sudeste Asiático. Fique atento ao “Team Jorge”, que promete auxiliar Flavio Bolsonaro a se eleger presidente do Brasil.

Mas o que mais ameaça a democracia brasileira?

Os políticos brasileiros da direita mantêm relação estreita com estrategistas internacionais, vínculo fortalecido a partir de 2016.

Farta documentação mostra a articulação cooperativa entre Eduardo Bolsonaro e Steve Bannon.

O ecossistema é complexo, mas já sabemos quais são seus principais protagonistas institucionais.

É o caso da Heritage Foundation, um dos think tanks conservadores mais influentes dos EUA, com massiva presença no X/Twitter, YouTube e Facebook.

Outros: Cato Institute, PragerU, Mises Institute, Centro de pensamento liberal chileno, Fundación Libertad y Progreso (Argentina), Ranking de Políticos (Brasil), Brasil Paralelo e Fé & Trabalho (Brasil).

Esses grupos produzem vídeos, documentários, cursos online, podcasts e campanhas virais. Frequentemente, cooptam influenciadores por meio de alta premiação financeira.

Vários deles têm uma segunda atividade, no submundo da web, trabalhando com a produção massiva de fake news e “material de suspeição”.

No Chile, esses grupos organizados, públicos e clandestinos, trabalharam arduamente para erodir a imagem pública do presidente progressista Gabriel Boric, ao mesmo tempo em que agiram para eleger o direitista José Antonio Kast.

A ordem na América Latina, agora, é apear Lula do poder e restabelecer o poder da família Bolsonaro.

Mas qual é o modu operandi?

Em situações específicas, a ação articulada e criminosa desses grupos se amplia por meio da programação dirigida de algoritmos das grandes sociais.

O maior exemplo no Brasil é a exposição ultra-massiva das fake news e conteúdos desinformativos produzidos pelo deputado federal mineiro Nikolas Ferreira.

Foi o caso na narrativa falsa sobre a cobrança de impostos sobre movimentações no PIX, replicada anomalamente centenas de milhões de vezes.

Ou seja, pessoas que nem sabiam da existência de Nikolas receberam e recebem seus materiais tóxicos, constituídos de falsidades, calúnias e material de difamação.

Existe hoje um sistema híbrido, em que os algoritmos das grandes redes são manipulados por pequenos grupos humanos e seus exércitos de bots, ou seja, agentes de Inteligência Artificial.

Meta (Facebook e Instagram), Google (Youtube) e TikTok se inserem nesse sistema por diferentes motivos. Além do alinhamento conveniente ao trumpismo, faturam mais alto por meio do engajamento pelo ódio.

Ou seja, a chamada “economia da desinformação” é duplamente lucrativa, no varejo das relações políticas e no atacado da manipulação de multidões.

Seremos capazes de destruir essa rede maligna e letal de desinformação? Talvez, não. É possível que, no futuro, tenhamos de construir nossas próprias malhas de comunicação descontaminada.

Mas isso demora. E vai piorar, muito, antes de melhorar. Apertem os cintos. O piloto é o inimigo.”

Walter Falceta é jornalista.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepautaggn@gmail.com. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: https://www.catarse.me/JORNALGGN

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados